A IDEOLOGIA DOS DESENHOS ANIMADOS

 

 

 

 

Actualmente, o mundo mais do que nunca vive rápidas transformações em função das revoluções tecnológicas, nas quais a televisão assume um papel decisivo. Antes do aparecimento da televisão, concretamente dito, as pessoas possuíam o hábito de se reunirem em praças, esquinas, bares, calçadas para participarem nas conversas que ali surgiam. As crianças, por sua vez, foram deixando as brincadeiras características da sua idade para se renderem aos “encantos” da televisão. Entre outros factores, podemos dizer que esses encantos fizeram com que as mesmas despendessem boa parte do tempo diante da TV. Com toda a influência desse meio de comunicação, consequentemente, mudaram-se os costumes e o quotidiano dos lares. Em relação às crianças e jovens, público-alvo por nós analisado neste trabalho, por estarem na fase de formação dos valores, conceitos, modelos de conduta e comportamento sexual, essa mudança de hábitos assume grande importância. A presença da televisão na infância é reconhecida como uma actividade de lazer, que chega a concorrer com as brincadeiras infantis e, para muitos, tornou-se a única fonte de entretenimento. Em geral, as crianças começam a ver Desenhos Animados aos dois anos. Vêem-nos porque estes lhes despertam curiosidade e fascínio, próprios da sua idade. Cada acção que vêem é sublinhada por efeitos sonoros particulares, que visam ajudar a sua compreensão e captar a sua atenção. E, como a atenção das crianças tem dificuldade em fixar-se, os códigos sonoros vêm ajudá-las a estar atentas. Na maior parte do tempo, se a atenção das crianças tem dificuldade em fixar-se é porque o conteúdo dos programas não lhes é totalmente compreensível, ou seja, não são capazes de fazer deduções nem de compreender o que está implícito. Numa pesquisa realizada ao nível de quatro escolas, mais de 70% dos estudantes entrevistados relataram que assistir TV é a principal actividade fora da sala de aula. Cerca de 42% afirmaram ainda, deixar a televisão ligada durante as brincadeiras e refeições. Com tudo isso, percebe-se a influência e importância que damos a esse aparelho electrónico nas nossas vidas. Diante desse facto não poderíamos esquecer de mencionar que as relações e compromissos dos pais também mudaram com o tempo.

 

Evolução da importância

À algum tempo atrás, era à mulher que competia tomar conta dos filhos e acompanhá-los durante a sua vida, enquanto que ao homem cabia o sustento da família. Contudo, com o decorrer dos tempos esses costumes foram-se perdendo e novos valores foram introduzidos. A mulher, por seu turno assume um papel mais activo no mundo laboral, deixando muitas vezes para segundo plano a família. Consequentemente, os filhos passam mais tempo sem a presença dos pais e diante da televisão. Assim, podemos afirmar, que à TV incumbido o papel de “ama-electrónica”. Segundo Pacheco (2005) a “TV é um dos principais condicionadores à rotina das nossas crianças bem como dos seus familiares, relegando para segundo plano o convívio entre este entes”.

Assim, de uma forma sucinta, se percebe que a televisão, enquanto meio de comunicação exerce grande influência na nossa vida, quer seja como forma de lazer, quer seja pela actualização dos factos ocorridos durante o nosso quotidiano.

 

Infuência na formação

O que não podemos negar, é que mesmo a TV exercendo grande influência nas nossas vidas, não nos permite passar passivamente diante dela. Como afirma Pougy (2005), “a criança liga-se à TV do mesmo modo como se relaciona com o mundo que a rodeia”. Para ela, este meio comunicativo constitui mais um jogo simbólico, em analogia às brincadeiras infantis a que está habituada. A criança é receptiva a tudo o que recebe da televisão, recriando essa informação segundo as suas experiências. Ela, incorpora o que vê e ouve de forma criativa, retirando disso, apenas o que lhe interessa nesse dado momento.

Fischer (2002), afirma que os média, com a produção de imagens e saberes, vão ajudar à educação das pessoas, de forma a transmitir-lhes o que precisam de saber para viverem segundo os moldes da sociedade. Deste modo, dizemos que os média exercem grande influência na formação das pessoas, em par da Escola, família e instituições religiosas, isto é, a sociedade em geral.

Estes processos de diferenciação foram sempre diferentes ao longo das diferentes épocas históricas. A TV, como meio de comunicação social, tem uma importante participação na formação das pessoas e no desenvolvimento do sujeito contemporâneo. Assim podemos dizer que a TV tem uma participação fundamental nos processos de produção de modos de pensar, de ser e de conhecer o mundo.

Como as crianças são capazes de descodificar a televisão, constroem ou “destroem” saberes a partir dessa grande referencia que é a televisão. Existem programas ricos em valores culturais e significados, mas nem todos beneficiam do mesmo modo as crianças, porque nem todas as crianças são iguais, nem todos os programas possuem esses conteúdos culturais e significativos. Cada criança é única e a sua maneira de descodificar a informação televisiva depende de muitos factores, como os culturais, políticos, cognitivos, sociais, ideológicos, entre outros.

 

Diferentes tipos de desenhos animados

Os desenhos podem até ser classificados de acordo com os seus argumentos. Temos os de ficção científica, os que são inspirados em contos infantis tradicionais, em histórias originais que têm em conta mudanças sociais, contemporâneas, existem também os desenhos humorísticos e os baseados em obras clássicas. Por exemplo, o Canal 2 da televisão portuguesa transmite vários desenhos animados de carácter educativo, contrariamente aos restantes canais, que transmitem na sua maioria desenhos animados meramente de entretenimento. Um dos exemplos mais evidentes, é a série Ruca, que aborda vários temas como o comportamento na sociedade, as relações interpessoais, o crescimento do corpo, os conflitos familiares, etc. A forma clara de narração facilita a compreensão dos espectadores mais jovens, cativando a sua visualização.

 

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Outro exemplo é a série que já passou na SIC, as 3 gémeas, série essa que estimula a leitura, trabalhando também a construção de valores. Já o Noddy, vem retratar problemas do dia a dia e a forma mais correcta de resolve-los.

Por outro lado, temos os exemplos negativos que têm como função apenas o entretenimento, levando a criança para um "mundo de violência grátis e de irrealidade social", como é o caso do Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco e outras séries, especialmente as “Manga”.

Resumindo, os desenhos animados são uma parte crucial do desenvolvimento infantil, pois neles uma criança encontra uma fonte de diversão, medo, aventura, vivendo de forma imaginária os seus conflitos, fazendo assim com que o seu amadurecimento seja gradual, diferente para cada criança, pois cada uma tem as suas bases educativas logo cada uma vai ter uma interpretação diferente. Logo, podemos assim afirmar que os jogos de vídeo e a Internet só tem uma carga negativa na criança, dependo da forma como a criança os interpreta e utiliza.